A CDL Vacaria esteve presente no II Fórum Estadual do Comércio, realizado em Porto Alegre, em um encontro que reuniu lideranças empresariais, representantes de entidades, parlamentares e especialistas para debater os principais desafios e oportunidades do comércio no Rio Grande do Sul. O evento, promovido pela Federação Varejista do RS, teve como tema central “O novo varejo que move o Estado” e abordou assuntos decisivos para o futuro do setor, como reforma tributária, infraestrutura, escala de trabalho, inadimplência, apostas eletrônicas, produtividade, tecnologia e competitividade.

A participação da CDL Vacaria reforça o compromisso da entidade em acompanhar de perto as pautas que impactam diretamente o comércio local e regional. Em um momento de mudanças econômicas, sociais e tecnológicas, estar presente em espaços de debate estadual é essencial para levar a realidade dos empresários de Vacaria e da região, além de buscar informações, tendências e posicionamentos que possam orientar ações futuras.

Logo na abertura, o presidente da Federação Varejista do RS, Ivonei Pioner, chamou atenção para temas que vêm preocupando o setor, entre eles o avanço das apostas eletrônicas, conhecidas como bets. Segundo as discussões apresentadas no fórum, esse fenômeno tem contribuído para o endividamento das famílias e para a retirada de recursos que antes circulavam no comércio local. A preocupação é que parte da renda do consumidor, que poderia ser destinada à compra de produtos, serviços, alimentação, vestuário, móveis ou melhorias para o lar, esteja sendo direcionada a plataformas de apostas, muitas delas sediadas fora do Brasil.

O primeiro painel do evento tratou de “Geopolítica e tecnologia: impactos globais, estratégias locais”. A discussão trouxe uma reflexão importante para o empresário: os desafios do comércio não estão apenas na concorrência internacional ou nas grandes plataformas digitais. Um dos pontos destacados foi que, para muitos empreendedores, o maior concorrente não é necessariamente a China, mas sim a carga tributária brasileira, que reduz margens, dificulta investimentos e compromete a competitividade das empresas nacionais.

Nesse contexto, a tecnologia foi apresentada não apenas como uma tendência, mas como uma necessidade para o aumento da produtividade. O varejo precisa acompanhar as mudanças no comportamento do consumidor, investir em canais digitais, melhorar processos internos e buscar eficiência operacional. Para cidades como Vacaria, onde o comércio tem papel fundamental na geração de empregos e renda, a inovação precisa estar conectada à realidade local, respeitando o perfil dos consumidores e fortalecendo os negócios de proximidade.

Outro tema de grande impacto foi a discussão sobre o fim da escala 6x1. Parlamentares e representantes do setor alertaram para os possíveis efeitos econômicos de uma mudança abrupta na legislação trabalhista. Durante o fórum, foi mencionado que a medida poderia gerar forte impacto sobre o varejo, especialmente para pequenos e médios negócios, que já trabalham com margens apertadas e dependem de equipes enxutas para manter o atendimento ao público.

A defesa apresentada por lideranças do setor foi de que mudanças nas relações de trabalho precisam considerar a realidade de cada segmento, o porte das empresas e a capacidade de adaptação dos negócios. Também foi ressaltada a importância da liberdade para que trabalhadores e empregadores possam construir acordos de forma equilibrada, por meio de negociação e diálogo.

A reforma tributária também ocupou espaço central no evento. O professor Marcos Cintra apresentou uma análise sobre os possíveis impactos do novo sistema para o varejo, destacando pontos positivos e preocupações. Entre os alertas, esteve a situação das empresas optantes pelo Simples Nacional, que podem enfrentar dificuldades dentro da nova lógica de créditos tributários. Para o comércio, a previsibilidade e a clareza das regras são fundamentais, pois qualquer aumento de custo ou perda de competitividade afeta diretamente o preço final ao consumidor e a sustentabilidade dos negócios.

O principal ponto de preocupação reside na transição para o novo modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Segundo Cintra, a reforma dificultará a vida das empresas optantes pelo Simples Nacional, uma vez que a sistemática de créditos tributários no novo regime pode isolar essas empresas das cadeias produtivas maiores, que preferirão negociar com fornecedores que gerem créditos integrais de IVA. O alerta foi claro: varejistas precisam buscar orientação especializada imediata para aplicar as novas regras e evitar uma perda súbita de competitividade por ineficiência fiscal.

Outro ponto lembrado foi o Dia Livre de Impostos, o DLI, marcado para 28 de maio. A ação, coordenada por entidades jovens do sistema lojista, busca conscientizar a população sobre o peso da carga tributária no Brasil. A mensagem é clara: o brasileiro trabalha aproximadamente cinco meses por ano apenas para pagar impostos. A iniciativa reforça a necessidade de uma discussão mais ampla sobre eficiência do Estado, justiça tributária e ambiente favorável ao empreendedorismo.

No painel “Empreender no Brasil: reformas, gerações e produtividade”, os debatedores abordaram os desafios de abrir, manter e fazer crescer uma empresa no país. Foram discutidos temas como formalização, capacitação técnica, educação empreendedora e a necessidade de ampliar o acesso da população ao trabalho e à qualificação. A produtividade foi apontada como uma das grandes chaves para o desenvolvimento econômico.

Para a CDL Vacaria, esse debate dialoga diretamente com a realidade local. O comércio precisa de profissionais preparados, gestores atualizados e políticas públicas que incentivem o desenvolvimento das empresas. Investir em capacitação, estimular a cultura empreendedora e aproximar jovens do mercado de trabalho são caminhos importantes para fortalecer o futuro do varejo.

À tarde, o fórum trouxe um painel sobre crédito, inadimplência, expansão das bets, comportamento financeiro e impactos na economia. O tema ganhou destaque pela preocupação crescente com o endividamento das famílias brasileiras. Foi apontado que mais de 50% dos adultos em idade produtiva estão endividados, o que afeta diretamente o consumo e a saúde financeira das empresas.

A deputada federal Any Ortiz destacou a importância da educação financeira e comentou os desafios políticos para implantação de projetos estruturantes nessa área. Também foi debatida a necessidade de estabelecer regras mais rígidas para a publicidade das apostas eletrônicas, buscando reduzir o acesso indiscriminado e proteger consumidores vulneráveis.

A mensagem central foi de que a base de qualquer processo de mudança passa pela educação. Para o comércio, consumidores financeiramente saudáveis significam maior capacidade de compra, menor inadimplência e relações comerciais mais sustentáveis. Por isso, iniciativas de orientação financeira, recuperação de crédito e consumo consciente devem fazer parte da agenda de desenvolvimento do varejo.

A infraestrutura também foi tema de grande relevância no painel “Corredores que destravem o RS”. Foram debatidos os altos custos logísticos enfrentados pelas empresas gaúchas, especialmente em razão das condições das rodovias, pedágios, gargalos operacionais e falta de planejamento em editais e concessões. Durante o evento, foi citado que o custo logístico no Brasil é de cerca de 15,5%, enquanto no Rio Grande do Sul pode chegar a 22%, muito acima da média de países de referência, que gira em torno de 8%.

Essa diferença impacta diretamente o comércio. Frete mais caro significa produto mais caro, menor competitividade e dificuldade de abastecimento. Para regiões do interior, como Vacaria, a qualidade da malha rodoviária é ainda mais decisiva, pois influencia o recebimento de mercadorias, o escoamento da produção, o turismo, os serviços e a mobilidade da população.

O deputado Guilherme Pasin e outros participantes destacaram a necessidade de investimentos estruturais em rodovias e corredores logísticos. O desenvolvimento do Rio Grande do Sul depende de infraestrutura eficiente, capaz de conectar regiões, reduzir custos e permitir que empresas locais concorram em melhores condições.

O painel final voltou ao tema da escala 6x1 e reforçou a preocupação de representantes do varejo com medidas que possam aumentar custos, estimular a informalidade ou prejudicar famílias que dependem dos empregos gerados pelo comércio. Os deputados presentes se posicionaram de forma crítica à proposta, defendendo que o debate seja feito com responsabilidade, dados concretos e análise dos impactos reais.

Uma das mensagens marcantes do fórum foi a necessidade de pensamento crítico. Em tempos de discursos simplificados e decisões com forte apelo eleitoral, lideranças empresariais reforçaram que é preciso analisar os efeitos práticos de cada medida. O trabalho foi lembrado como base da geração de riqueza, valor, renda e impostos. Sem empresas fortes, não há emprego sustentável nem desenvolvimento social.

O evento também apresentou o Manifesto do Varejo 2026, documento da Federação Varejista do RS que reúne propostas para fortalecer o ambiente de negócios no Estado. Entre os pontos defendidos estão a simplificação tributária, a redução da burocracia, a melhoria da infraestrutura, a modernização das relações de trabalho, o combate à inadimplência, a qualificação de mão de obra e a valorização do comércio local.

Para a CDL Vacaria, a presença no II Fórum Estadual do Comércio foi uma oportunidade de aprendizado, articulação e representatividade. A entidade acompanha de perto os temas que impactam seus associados e reafirma seu papel como voz ativa do comércio vacariense. Mais do que participar de um evento, estar no fórum significa integrar uma agenda estadual de defesa do empreendedorismo, da competitividade e do desenvolvimento regional.

O comércio é um dos grandes motores da economia de Vacaria. Ele gera empregos, movimenta bairros, fortalece famílias, apoia iniciativas comunitárias e contribui diretamente para o crescimento do município. Por isso, os desafios debatidos no fórum não são distantes da realidade local. Reforma tributária, infraestrutura, crédito, consumo, tecnologia e relações de trabalho fazem parte do dia a dia de cada lojista.

Ao final do encontro, ficou a mensagem de que o varejo gaúcho precisa seguir unido, atento e propositivo. O momento exige diálogo, mobilização e coragem para defender pautas que garantam um ambiente de negócios mais justo, simples e competitivo.

A CDL Vacaria seguirá acompanhando esses debates e trabalhando para que o comércio local esteja cada vez mais preparado para os desafios do presente e as oportunidades do futuro.

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